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Luiz Mendes

21 de março: será quem um dia vamos celebrar “o nada” ?

“ Meu nome é Samuel Adiron, tenho 20 anos, moro em São Paulo, Brasil e sou estudante de Pedagogia. Quase todos os dias vou para a faculdade no período da manhã. Nesse semestre estou estudando as seguintes matérias: avaliação de aprendizagem, multiculturalismo nas relações escolares, sociologia da infância e prática de ensino. O currículo desse semestre também tem um projeto interdisciplinar a ser desenvolvido. Na parte da tarde, geralmente faço os trabalhos da faculdade e estudo. Além de estudar, tenho outras atividades: jogo tênis uma vez por semana, participo do coral de uma igreja presbiteriana onde congrego. Também participo das atividades da união de mocidade dessa igreja.

Gosto muito de futebol, especialmente de acompanhar os clubes e campeonatos de todo o mundo. Recentemente, lancei um canal a esse respeito no Youtube: o “Esporte 21” . Assim que acabarem as provas da faculdade na semana que vem, vou publicar novos vídeos.”.

 

“Oi, eu me chamo Ully Costa Pinto Lucas e tenho 20 anos. Estou cursando Engenharia Civil, no 5º período, e no meu dia a dia eu estudo na parte da manhã de 7 às 12 horas. Na parte da tarde faço estágio de 13 às 17 horas e quando chego em casa faço os trabalhos e estudo as matérias da faculdade. Aos domingos vou para igreja e para os encontros do EJC (Encontro de Jovens com Cristo, movimento da Igreja Católica que participo). Nas minhas horas vagas gosto de assistir séries e ver vídeos no Youtube.”

 

“Olá a todos, sou Paula de Matos Werneck e quero mostrar como é a minha rotina. Eu tenho 31 anos e nasci no Rio de Janeiro e vou falar como é o meu dia a dia. Acordo de manhã, pego a minha van e vou para o meu trabalho. Na parte da tarde, depois do meu trabalho, eu já rango e daí eu vou direto estudar. Eu faço ensino técnico em auxiliar de enfermeira, pois eu quero salvar muito a vida das pessoas, para variar. E toda quarta-feira eu faço bateria, música e cia. Chama-se assim pois é música e companhia.“

 

Você seria capaz de dizer qual a diferença entre estas três rotinas? Não? Pois é, exatamente isso que nós queremos mostrar. Na prática, realmente não existe nenhuma diferença. E isso é que define a vida. Ou deveria definir a vida. Pois o primeiro e o terceiro testemunho são de pessoas com Síndrome de Down. Então, cabe a pergunta. Porque eles são diferentes? E por que ainda ouvimos que eles são especiais? Todos são jovens em busca dos seus sonhos e explorando os seus potenciais. São capazes e são diferentes. Cada um com a sua personalidade, com os seus objetivos e com as suas capacidades. Eu conheço cada um dos três e posso dizer quem são. Posso falar deles como falaria de qualquer pessoa que eu conheço. E não porque a Paulinha e o Samuel são T21. Pois todos, todos mesmos, são iguais e são diferentes entre si. O fato de dois deles terem um cromossomo a mais não os diferencia, não os limita e não os elevam. São todos, os três, lindas pessoas que fazem parte das suas famílias, do convívio com os seus amigos e integram as suas comunidades. E deveriam integrar igualmente a sociedade.

 

Esta última frase do parágrafo anterior simboliza o que comemorarmos no dia 21 de março, o dia Internacional da Síndrome de Down. Data oficial da ONU e que foi escolhida por representar o terceiro cromossomo no par 21. Mas a essência desta comemoração é o que descrevi através do próprio olhar e das próprias palavras destes três jovens. A igualdade entre eles. Buscamos o dia em que estas histórias não tenham de estar em uma revista ou em um site. Que seja o que todos enxerguem. Não apenas nós pais e familiares de pessoas com necessidades específicas. O entendimento de que todas as pessoas, cada um a seu modo, possuem as suas próprias necessidades específicas. Umas mais outras menos. Uma por conta de um cromossomo, outra por conta de qualquer característica física. Mas todos somos iguais e diferentes ao mesmo tempo. E como sempre disse a mãe da Paulinha, ser diferente é normal. Ontem, hoje e sempre.

 

E tudo o que queremos, aqui na revista, no nosso site, no nosso dia a dia, na nossa casa é apenas isso: que todos sejam vistos pelo mesmo olhar. Pela mesma ótica e pelo mesmo sentido de pertencimento. Então, quando celebramos o dia 21 de março, no caso das pessoas com T21, buscamos que um dia possamos celebrar, na verdade, “o nada”. Celebrar que eles possam ser visto como foram os três relatos. Sem nenhuma diferença e que sejam vistos por quem eles são. E não por uma pré-definição que não existe de verdade.

 

Por: Luiz Mendes

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