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Internet acessível para inclusão socioeconômica

Em entrevista ao #blogVencerLimites, a idealizadora do movimento Web para Todos fala sobre a real transformação digital e destaca o papel social das organizações, que precisam entender o potencial de mercado perdido ao não investir em sites acessíveis. “O desconhecimento é a principal causa deste cenário tão alarmante. Sempre surpreendemos o público quando falamos sobre o número de pessoas com deficiência no Brasil e sobre como é difícil navegar em páginas sem acessibilidade”, diz Simone Freire.

“Com a tecnologia disponível hoje e boas práticas de acessibilidade é possível fazer sites praticamente sem barreiras de navegação”, afirma Simone Freire, idealizadora do Web para Todos. Imagem: Divulgação
“Com a tecnologia disponível hoje e boas práticas de acessibilidade é possível fazer sites praticamente sem barreiras de navegação”, afirma Simone Freire, idealizadora do Web para Todos. Imagem: Divulgação

“Sites acessíveis tornam a web mais funcional e trazem benefícios para todos, principalmente a pessoas com deficiência, mas também para quem ainda não sabe usar o computador, idosos e pessoas com baixo letramento, incapazes de interpretar um texto”, diz o manifesto do movimento Web para Todos.

Idealizada por Simone Freire, diretora geral da agência Espiral Interativa, e pelo consórcio W3C Brasil (World Wide Web Consortium Escritório Brasil) / Ceweb.br (Centro de Estudos sobre Tecnologias Web), a ação tem participação de desenvolvedores, conteudistas, designers e profissionais de diversas áreas, como advogados, administradores e empresários mobilizados para tornar os sites brasileiros acessíveis para todas as pessoas.

 Para entender as metas do movimento, precisamos fazer uma reflexão sobre a nossa forma de navegar pela web, avaliar de que maneira um cego faz isso ou como um surdo, que tem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeiro idioma, assiste aos vídeos e lê notícias na rede, ou acessar um site usando apenas o teclado do computador.

Segundo o escritório brasileiro do W3C, barreiras de navegação estão presentes em praticamente todos as páginas de internet do País. E a pesquisa Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2014 mostra que 57% dos cidadãos com deficiência do Brasil usam com frequência a internet.

Uma análise em páginas do governo, feita pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) do Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br), constatou que menos de 6% desses sites tiveram um cuidado para minimizar as barreiras de acesso para pessoas com deficiência. “Se estendermos para o universo das empresas, o percentual é ainda menor”, afirma Vagner Diniz, gerente geral do W3C Brasil e do Ceweb.br.

Em entrevista ao #blogVencerLimites, Simone Freire, diretora geral da agência Espiral Interativa e idealizadora do ‘web para todos, fala sobre a real transformação digital e destaca o papel social das organizações, que entender o potencial de mercado perdido ao não investir em sites acessíveis.

#blogVencerLimites – Quais os primeiros impactos verificados pelo movimento? Há participação efetiva de pessoas com deficiência no envio de avaliações?

Simone Freire – Neste primeiro mês após o lançamento, o Web para Todos já vem colhendo frutos muito positivos, mas sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer. Uma das seções mais acessadas do site até o momento é a ‘transformação’, onde é possível checar com um validador automático a acessibilidade de uma página web. Só nestes primeiros 36 dias, já tivemos cerca de mil páginas checadas, o que mostra o interesse de muitos em saber como seus sites estão.

Como todo movimento, há uma fase inicial mais focada em mobilização, em contar para as pessoas, com algum tipo de deficiência ou não, o nosso propósito e mostrar a elas as várias possibilidades de apoio à causa e sua força como agente transformador da web brasileira. Sabemos que este conceito ainda é muito novo, especialmente quando damos a oportunidade para que as pessoas com deficiência tenham voz ativa neste processo. O depoimento delas sobre a navegação dos sites é o principal propulsor do movimento Web para Todos. Já temos alguns e acreditamos que conforme as pessoas entendam mais sobre o que é de fato uma web acessível e suas possibilidades infinitas, mais automático esse processo será.

Neste momento, estamos trabalhando junto aos nossos 21 parceiros – entre eles a Fundação Roberto Marinho, FGV Direito-SP, Fundação Dorina Nowill, Instituto Mara Gabrilli, Instituto Rodrigo Mendes, Laramara, ONCB, entre outros – ações de divulgação e engajamento de mobilizadores, além de continuar o processo de apresentação do movimento às organizações. No dia 19 de outubro, por exemplo, estivemos em Brasília na reunião anual do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência apresentando o movimento e discutindo ideias sobre como incorporar este tema na agenda atual da sociedade.

#blogVencerLimites – Mesmo com todas as diretrizes de acessibilidade muito bem construídas e divulgadas no País, a quantidade de páginas sem recursos é grande, inclusive os sites de veículos de imprensa? Qual a sua avaliação sobre essa ausência? É falta de conhecimento ou falta de interesse?

Simone Freire – Em uma análise feita apenas em páginas do governo, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) – entidade que agrega as atividades do escritório do W3C no Brasil e abriga o Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) – constatou que menos de 6% desses sites tiveram um cuidado para tentar minimizar as barreiras de acesso para pessoas com deficiência. Se estendermos para o universo das empresas, esta porcentagem certamente é ainda menor.

Na nossa visão, o desconhecimento é a principal causa deste cenário tão alarmante. Em praticamente todas as nossas conversas para apresentar o Web para Todos acabamos surpreendendo o público quando falamos sobre o número de pessoas com deficiência no Brasil e como é árdua a tarefa de navegar em um site que não seja acessível.

Por isso, um dos principais papeis do Web para Todos é a educação. Nesta primeira fase, vamos mostrar o que são essas barreiras na prática, como este texto sobre como uma atividade com limite de tempo e funções que não funcionam pelo teclado podem simplesmente inviabilizar o acesso de uma pessoa com mobilidade reduzida a um site.

#blogVencerLimites – Quem especificamente precisa ser sensibilizado para que a acessibilidade na web se torne algo concreto, real e definitivo?

Simone Freire – É muito importante que todas as pessoas tenham consciência da importância e do impacto que sites acessíveis podem causar na inclusão socioeconômica de pessoas com deficiência. Mas sabemos que para haver a real transformação é preciso que as organizações se sensibilizem, cumpram seu papel social, entendam o potencial de mercado que estão perdendo e modifiquem seus sites.

#blogVencerLimites – É possível fazer uma lista simples de recursos de acessibilidade possíveis atualmente para a web?

Simone Freire – No site do movimento (clique aqui), há uma relação de boas práticas de acessibilidade na web nas áreas de conteúdo, desenvolvimento e design que, se todos incorporassem no seu dia a dia, já teríamos uma mudança bem positiva na web.

Na avaliação que fizemos dos sites das dez melhores universidades e escolas de ensino médio do Brasil falamos sobre as barreiras de navegação encontradas, o que também é educativo para quem quer casos reais para poder comparar.

#blogVencerLimites – O que falta em tecnologia e conhecimento para ampliar essa lista de recursos e facilitar sua implementação?

Simone Freire – A combinação da tecnologia disponível hoje com as boas práticas de acessibilidade citadas acima é possível fazer sites praticamente sem barreiras de navegação. O que falta mesmo é o conhecimento sobre elas e o Web para Todos tem como missão contribuir muito para isso, para a formação dos profissionais que fazem sites (conteudistas, programadores e designers).

 

Por: Luiz Alexandre Souza Ventura
Fonte: http://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/internet-acessivel-para-inclusao-socioeconomica/ (Acesso em: 30/10/2017)

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