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Prefeitura muda regra e deixa deficiente sem transporte


DEFICIENTE SEM TRANSPORTE

Uma alteração na prestação de serviço do transporte adaptado deixou crianças com deficiência sem a carona no contraturno escolar em Campinas. A Prefeitura de Campinas informou que vai garantir esse serviço, agora por meio do PAI (Programa de Acessibilidade Inclusiva) – que até então atende portadores de deficiência motora severa. Só que até agora as mães ainda não conseguiram agendar a carona no novo serviço.

A Prefeitura de Campinas enviou na última semana um comunicado às escolas públicas informando que realizaria uma reorganização da oferta do serviço de transporte adaptado para deficientes. Segundo documento, o aumento da demanda este ano fez com que houvesse a necessidade de priorizar o transporte apenas para a escola em período regular para poder atender a todo o público. Por isso, transferiu para o PAI a responsabilidade do transporte em atividades de reforço, terapias e demais atividades extras em período contrário.

Porém, na prática, os pais têm encontrado dificuldade para utilizar a alternativa. Maria Luiza Oliveira, 36, mãe de Bruna, de 9 anos, não teve uma resposta favorável. “Liguei no PAI e eles me disseram que não estavam sabendo de nada e por isso não poderiam fazer o agendamento”, comentou Maria Luiza, que decidiu não trabalhar para acompanhar de perto o desenvolvimento da filha, que tem deficiência de visão e é autista.

Bruna, que utiliza o serviço no contraturno duas vezes na semana, teve que ir com a mãe de ônibus para a sala de recurso. “Precisei ir buscá-la mais cedo na escola para dar tempo de chegar. É complicado essa mudança. Imagine se eu tivesse que trabalhar, como iria fazer? Existem outras áreas para cortar, não precisava tirar de quem precisa”, comentou a mãe.

Segundo Carlos José Barreiro, Secretário de Transporte e presidente da Emdec – empresa que gerencia o trânsito de Campinas e que é responsável pelo PAI – o serviço já atende grande demanda e os alunos terão que entrar no cronograma dos outros usuários. “Hoje tem cerca de 15% da demanda que não conseguimos atender. Porém, esses novos usuários deverão realizar o cadastro antes, para avaliar se realmente precisam do serviço. Só depois poderão utilizá-lo”, comentou. Segundo Barreiro, há previsão de mudanças nas regras de uso do PAI para otimizar o atendimento. “Hoje temos situações de uso que não há a real necessidade. Nós vamos em  breve alterar as regras para poder atender a todos que precisam”, completou.

No total, 97 alunos precisam desse serviço no contraturno. Com a mudança de direcionar o serviço do transporte adaptado apenas para o período regular de aulas, a prefeitura afirma que conseguirá atender toda a demanda de 157 alunos que precisam do transporte para a escola na cidade.

 

Por: Rose Guglielminetti
Fonte: http://blogdarose.band.uol.com.br/2017/08/01/prefeitura-muda-regra-e-deixa-deficiente-sem-transporte/ (Acesso em: 01/08/2017)

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