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Coristas surdos ‘cantam’ em apresentação no Guaíra

Para a música não há limites: os artistas cantam no coral da UTFPR na última noite do Cantoritiba

Os coristas surdos se apresentaram no fechamento do Cantoritiba, regidos pela maestrina Priscilla Prueter (centro). Foto: Divulgação.
Os coristas surdos se apresentaram no fechamento do Cantoritiba, regidos pela maestrina Priscilla Prueter (centro). Foto: Divulgação.

O professor universitário Eden Veloso, de 40 anos, não escuta nada. Nenhum resquício de som. O especialista em logística Rogério Barros, de 32 anos, também é surdo, mas com a ajuda de um aparelho consegue ouvir ruídos, mas não uma música. A surdez não impediu os dois de subirem ao palco do Teatro Guaíra com a casa cheia e se apresentar com coral da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) na noite de premiações do Festival Internacional de Corais de Curitiba, o Cantoritiba, na noite de domingo (20).

O espetáculo “Fronteiras”, idealizado pela maestrina Priscilla Prueter, da UTFPR, foi pensado justamente com o intuito de diminuir as distâncias entre as pessoas. Para mostrar a importância das diferenças, Priscilla convidou 4 surdos e 10 cegos para fazerem parte do coro. “A sociedade constrói muros entre nós. Tem gente que acha que a pessoa surda não vai conseguir participar de um espetáculo musical. E isso é um engano. Esta é a mensagem que a gente quer passar”, disse.

A maestrina ensaiou com os coristas surdos um número de percussão corporal, onde eles acompanham a regência e a música por meio de palmas, estalos e toques no próprio corpo. Depois, junto com os demais integrantes do coral, eles “cantaram” na língua de sinais. “Uma coisa muito interessante que aconteceu nos ensaios é que eles pegaram mais rápido a percussão corporal do que os coristas que ouvem”, contou Priscilla.
Música para sentir

Professor universitário da Libras no curso de Música da Unespar, Eden diz que começou a se interessar por música justamente por influência dos alunos. “Para sentir a música eu coloco o som bem alto no carro. Eu só consigo perceber a música se tiver percussão por causa da vibração. A bateria me emociona muito”, disse.

Iniciante no mundo dos artistas, Rogério Barros contou que ficou muito emocionado quando pisou no palco do Guairão pela primeira vez. Assim como Eden, ele precisa do acompanhamento da bateria para sentir a música e do apoio da regência para entender o tempo certo dos movimentos de percussão corporal. “No rock eu sinto bem a batida e ele me deixa alegre. É muito bom”, diz.

Coral do IPC
Entre os integrantes do Coral do Instituto Paranaense de Cegos (IPC) que participaram do espetáculo da UTFPR estava Vera Cristina dos Santos, de 47 anos. Vera canta no coral do IPC há quatro anos e contou que ama música. Para ela, as pessoas precisam enxergar os cegos sem a restrição da falta da visão. “Por isso espetáculos como este são importantes. Para a música não há limites e a sociedade precisa entender isso”, disse.

 

Por: TALITA BOROS VOITCH 21/08/2017 13:45
Fonte: http://guia.gazetadopovo.com.br/materias/coristas-surdos-cantoritiba/ (Acesso em: 21/08/2017)

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