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Prefeitura deve R$ 129 mil a projeto que inclui deficientes

Valor deixou de ser pago em dezembro, na gestão passada; município agora alega falta de recursos

A fachada da prefeitura do Rio - Agência O Globo

A fachada da prefeitura do Rio – Agência O Globo

RIO – Há quatro anos, o Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD) mantém o projeto Agentes de Inclusão, em parceria com a prefeitura. Atualmente, 38 profissionais atuam em salas de leitura e de informática de 76 escolas da rede municipal, num trabalho que vai além da monitoria: a função deles nas unidades é mudar a percepção de crianças e adolescentes em relação aos deficientes. Bem-sucedido, o programa está em vigor e, de acordo com a instituição, tem tudo para ser renovado no fim deste mês. No entanto, uma conta R$ 129 mil, que deveria ter sido paga em dezembro, ainda na gestão de Eduardo Paes, continua pendente e pesando no caixa do IBDD.

— Em dezembro passado, a prefeitura suspendeu todos os pagamentos a instituições filantrópicas, e a nova gestão realizou uma auditoria. É a Secretaria municipal de Fazenda que vai autorizar a liberação, mas até agora não sabemos quando — diz Teresa Costa d’Amaral, superintendente do instituto, acrescentando que o projeto está sendo pago normalmente este ano e que é do interesse do IBDD manter a parceria. — O projeto une deficiência, algo que as pessoas costumam ter medo, com tecnologia e artes, que crianças adoram. Isso ajuda a mudar a percepção do aluno. Não é só pelos empregos gerados. É pela mudança que os agentes promovem nas escolas.

Susan Soares Pinheiro, que participa do Agentes de Inclusão nas escolas municipais Rotary e Rodrigo Otávio, na Ilha do Governador, conta que as crianças ficam curiosas quando percebem que ela não tem os dedos da mão esquerda. As perguntas são inevitáveis e ela responde com naturalidade.

— Querem saber se dói, pedem para eu mostrar como uso o teclado e acham graça porque digito rápido. Explico que tenho uma deformidade congênita e logo isso passa a ser um detalhe — conta Susan, lembrando que a convivência com os professores das escolas também é boa. — No início do ano, ficamos dois meses sem receber, e eles foram solidários, ofereciam carona.

Segundo o IBDD, o instituto teve que usar recursos próprios, que seriam destinados a outros projetos, para cobrir o mês de dezembro. As faturas de janeiro e fevereiro foram pagas em março e, desde então, o dinheiro é liberado com regularidade.

Procurada, a prefeitura informou que “ao final de 2016, os saldos de empenhos não liquidados foram cancelados pelo ex-prefeito à revelia dos ordenadores de despesas (…), e foi determinada auditoria para apurar tal situação”. Ainda de acordo com o município, o levantamento “concluiu que é devido ao IBDD e a outras empresas o valor cancelado”. No entanto, o prefeito não autorizou a liberação dos recursos devido à situação econômica da cidade. A prefeitura não especificou quantas instituições estão nesta situação, nem o montante que falta ser pago.

 

 

Por: EDIANE MEROLA
Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/prefeitura-deve-129-mil-projeto-que-inclui-deficientes-21790980 (Acesso em: 06/09/2017)

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