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Legado que vai além da estrutura física

Um ano pós-Jogos, paradesporto comemora CT de excelência, visibilidade e proximidade com o povo brasileiro

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Claudiney dos Santos é um dos paratletas brasileiros com mais destaque e tem conseguido resultados significativos no lançamento do disco nas competições das quais tem participado

Os brasileiros podem seguir comemorando o sucesso dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Um ano após a disputa da competição, a modalidade tem colhido bons frutos com os desdobramentos que a disputa em solo nacional acabou trazendo. Os legados perpassam várias áreas, que vão desde o esporte de alto rendimento até a recreação. O legado mais importante, na opinião de atletas e membros do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), foi a construção do CT Paralímpico, em São Paulo, um centro de excelência fundamental para preparação, formação e manutenção do alto nível dos atletas, e o reconhecimento por parte da sociedade sobre a qualidade do paradesporto no país.

“O CT paralímpico foi o nosso maior legado. É um local que vai servir não somente para a geração de hoje, mas também para os novos atletas que vão surgir daqui a 10, 20, 30 anos”, afirma o velocista campeão olímpico Yohansson do Nascimento, que conquistou uma prata e um bronze na Rio 2016.

Medalhista de prata no ano passado, a nadadora Susana Schnarndorf relata também a aproximação do paradesporto com as pessoas. “Mudou bastante o esporte paralímpico após os Jogos. Foi um legado importante as pessoas conhecerem os atletas com deficiência e ver que não somos coitadinhos. Somos atletas de alto rendimento”, declara.

O discurso dos atletas é endossado pelo presidente do CPB, Mizael Conrado. “O legado da Rio 2016 pode ser analisado sob dois prismas fundamentais. O primeiro é o legado físico, o CT Paralímpico, em São Paulo. E há também o legado intangível, que diz respeito à forma com que o brasileiro enxerga a pessoa com deficiência. Os Jogos foram um bom ‘start’ em um processo de conscientização da população, em que as pessoas com deficiência deixam de ser invisíveis no dia a dia”, analisa.

Na área dos investimentos, os principais apoiadores do esporte paralímpico mantiveram os contratos para o ciclo de Tóquio 2020, possibilitando a preparação e o desenvolvimento dos competidores.
Além disso, as instituições perceberam um aumento significativo de procura pela prática esportiva. A Associação Desportiva para Deficientes (ADD), uma das mais tradicionais do Brasil, teve, entre agosto e outubro do ano passado, uma incrível procura de 30 pessoas por dia interessadas em iniciar algum tipo de atividade.

O Vasco da Gama, clube de futebol que mais investe no paradesporto no país, também teve um aumento no número de inscrições nas modalidades futebol de 7 (de 40 para 56), natação (de 21 para 27) e vôlei (de 18 para 20).

CPB espera maximizar uso do CT Paralímpico

Maior legado da Rio 2016, o CT Paralímpico segue funcionando a todo vapor. Só nos primeiros quatro meses de 2017, mais de 2.000 atletas treinaram no local, incluindo competidores de Japão, Holanda, Canadá e Argentina. Neste ano, existe a previsão de mais de cem eventos, entre torneios e treinos. “O CT tem potencial para ser o alicerce da preparação não só para os Jogos de Tóquio, em 2020, como também para os Jogos seguintes. E cria uma série de possibilidades para o desenvolvimento do paradesporto no Brasil”, diz o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado.

O dirigente afirma que o local poderá ser melhor explorado assim que o CPB assumir a gestão. “O CPB apresentou a sua proposta para a gestão do CT por cinco anos. A formalização nos abre um leque valioso para a exploração do CT Paralímpico, com o desenvolvimento de projetos a longo prazo”, conclui.

Minientrevista

Mizael Conrado Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro

Mizael Conrado quer aproveitar sucesso dos Jogos do Rio de Janeiro para alavancar paradesporto brasileiro, fazer ciclo vitorioso e chegar com tudo nos Jogos de Tóquio 2020

As expectativas, após os jogos Paralímpicos, se confirmaram? Podemos dizer que estamos na direção certa. Assumi a presidência do CPB no fim de março deste ano e, desde então, estamos trabalhando em um planejamento estratégico. Queremos colher os frutos da visibilidade e dos resultados que tivemos até a Rio 2016, para nos guiar a um ciclo ainda mais vitorioso até Tóquio 2020.

A Rio 2016 mudou a visão do brasileiros sobre o paradesporto? Depois dos Jogos, o Movimento Paralímpico alcançou um outro status nos meios de comunicação e, consequentemente, entre as pessoas. Passou a ser visto como produto interessante, que tem retorno. A nossa meta é continuar trabalhando próximo à mídia para que possamos colocar em pauta todo o novo ciclo até Tóquio e mostrar que nossos atletas podem ainda mais.

Quais os principais desafios que o senhor terá neste primeiro mandato à frente do CPB? Temos a Braskem como parceira, além das Loterias Caixa, que está conosco desde 2004 e sempre foi um grande parceiro. A ideia é que possamos ampliar a quantidade de acordos dessa natureza para proporcionar condições cada vez melhores para o desenvolvimento do paradesporto no Brasil.

Como o Brasil chegará para a disputa dos Jogos de Tóquio 2020? Estamos finalizando nosso planejamento estratégico, mas já é possível dizer que o Brasil irá ao Japão como potência do esporte paralímpico, como foi nas últimas edições.

 

Por: O Tempo
Fonte: http://www.otempo.com.br/superfc/legado-que-vai-al%C3%A9m-da-estrutura-f%C3%ADsica-1.1520923 (Acesso em: 17/09/2017)

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