null
Acessibilidade Destaque Inclusão Social Lazer Notícias

Turismo acessível

Divulgação Grade 6 Viagens  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Turismo para pessoas com deficiência ainda não é o ideal, mas projetos trazem esperança na área

Em 2012, durante conversa despretensiosa entre dois amigos surgiu grande ideia: contribuir para uma sociedade mais inclusiva com destinos turísticos acessíveis. Foi com a intenção de unir as paixões por viajar e a de ajudar pessoas que Ana Borges e Ricardo Panelli criaram o Expedições Inclusivas. O projeto, que conta com o apoio das ONGs Grupo Terra e da Associação Samuna, faz diversos tours de aventura para pessoas com deficiência.

“Começamos só levando deficientes visuais e hoje também cadeirantes e amputados. Conforme o passar do projeto, percebemos que a inclusão funciona de forma reversa, ou seja, quando estamos em uma expedição os turistas que não possuem deficiências são convidados para participarem”, explica a coordenadora Ana.

Os organizadores desenvolvem roteiros esportivos e culturais para vários destinos e buscam parcerias com empresas de turismo para que seus clientes se sintam à vontade durante o passeio. A última proposta do grupo, com ajuda da agência Grade6 Viagens, feita em agosto e setembro, levou deficientes visuais em uma expedição no Monte Elbrus, na Rússia, e ao Kilimanjaro, na Tanzânia.

Além desta última aventura, o programa já passou por vários lugares do Brasil, entre eles, Socorro, Caraguatatuba, Boituva, Bragança Paulista, Atibaia e Brotas, em São Paulo; no Jalapão, em Tocantins; e em Bonito, no Mato Grosso do Sul. Se tudo der certo com as parcerias, o próximo destino será o Monte Aconcágua, na Argentina.

Os roteiros possuem atividades radicais como caminhadas, saltos de paraquedas, tirolesa, entre outros, e é necessário que a pessoa informe alguns detalhes sobre possíveis restrições e seja treinada para atividades antes da viagem. “Todo mundo possui limitações de saúde. Qualquer empresa pede essas informações. Quando vejo a alegria da pessoa com deficiência e sua superação, ou quando os participantes que não têm deficiência enxergam as pessoas que têm, é muito bonito e emocionante”, conta.

Para mais informações sobre Expedições Inclusivas e para colaborar ou patrocinar o projeto, na página do Facebook (Expedições Inclusivas) ou pelo telefone da coordenadora Ana Borges 99111- 4072.

ATÉ O TOPO
Com a intenção de conquistar expedições para seis maiores montanhas do mundo, o atleta, educador físico, massoterapeuta e deficiente visual Eduardo Costa, 37 anos, de São Paulo, participou do projeto por meio da ONG Grupo Terra. Deficiente visual desde seu nascimento, ele esteve na expedição para Rússia e Tanzânia. Levou quatro dias juntamente com a equipe para chegar até o topo das montanhas de Monte Elbrus e Kilimanjaro. “Na Rússia, como foi a primeira, estava bem ansioso e com expectativa muito grande, pois era uma montanha com gelo. Fiquei com medo, mas quando entramos na trilha, fui ficando tranquilo, pois senti que não era algo tão complicado. A da África foi mais técnica, pois era montanha com muitas pedras e tivemos de ser mais cautelosos, mas consegui chegar até o fim”, relembra.

Costa não precisa de muitas adaptações. Durante as expedições nas montanhas ele leva uma barra e é auxiliado por um guia que fica na frente ou ao lado indicando a direção. Agora o atleta está na expectativa de o projeto conseguir colaboradores para a próxima viagem, que será ao Monte Aconcágua, na Argentina, considerada a maior montanha das Américas.

Destinos de inclusão
É sempre bom fazer algumas pesquisas antes de viajar para encontrar locais, como restaurantes, hotéis e pontos turísticos que deseja frequentar. Pensando em disponibilizar essas informações de forma fácil para pessoas com diversos tipos de deficiências, o Ministério do Turismo criou o site www.turismoacessivel.gov.br, que conta com o Guia Turismo Acessível.

Na ferramenta é possível fazer buscas específicas para hospedagens, restaurantes, museus, alimentação, parques, praias, compras e serviços turísticos. Basta colocar o nome da cidade de destino e escolher a categoria que deseja pesquisar. Para uma busca mais minuciosa, o site oferece a opção ‘Recusos de Acessibilidade’, em que é possível pesquisar locais que contam com suporte para atendimento e recebimento de deficientes físicos ou motores, auditivos, visuais e com mobilidade reduzida.

Após a busca, ainda é possível que o viajante encontre nome, endereço e contato de alguns estabelecimentos cadastrados. Além disso, são disponibilizadas todas as avaliações feitas por outros clientes que já tiveram experiências nos locais que foram procurados.

SOCORRO
Muito além de lindas paisagens, a cidade, que fica no Interior do Estado de São Paulo, foi um dos destinos escolhidos pelos organizadores do projeto Expedições Inclusivas. Socorro é referência em turismo acessível e conta com rampas de acesso, sinalização tátil, hotéis preparados para receber hóspedes com deficiências, além de atividades aventureiras.

JALAPÃO
Considerado um dos destinos preferidos do projeto Expedições Inclusivas pela recepção e inclusão feitas pela cidade em relação aos deficientes, a cidade, que fica localizada em Tocantins, conta com cachoeiras de águas cristalinas, belas paisagens e bons locais para praticar roteiros de aventuras.

MONTE ACONCÁGUA
O Monte Aconcágua, também conhecido como Sentinela de Pedra possui 6.962 metros de altitude. Fica situado na Argentina e é a montanha mais alta do planeta fora do Himalaia. Está previsto para ser visitada no ano que vem pelo grupo do projeto Expedições Inclusivas. Trata-se do próximo desafio do deficiente visual Eduardo Costa.


Muito além de rampas de acesso para cadeirantes

Viajar com um cadeirante vai muito além de saber se os locais por onde vai passar possuem rampas em vez de degraus. Uma pessoa com restrição de movimento cansa muito mais e fica com o corpo bem dolorido. Quando vou viajar com minha filha Laura, 7 anos – portadora da Síndrome de West (forma de epilepsia que surge na infância)– série de perguntas são feitas ao agente de viagens e aos funcionários do local onde vamos ficar. Na verdade, essa escolha já leva em conta todas suas necessidades.

A atenção começa no aeroporto. Laura viaja na poltrona do avião, porque julgamos ainda ser melhor para ela, no entanto, é possível embarcar com a cadeira de rodas, levá-la e até sentar em local específico que algumas empresas oferecem.

A alimentação servida durante o trajeto pelas companhias aéreas não pode ser ingerida por minha filha, já que ela precisa que o alimento esteja pastoso. Neste caso, levamos fruta assada. Tudo isso já fica avisado no momento em que fechamos o pacote na agência de viagens. Eles encaminham todas essas restrições para a companhia aérea.

Por enquanto, Laura só viajou pelo Brasil, mas, quando optarmos por viagem internacional, com voos mais longos, não temos ideia como a trocaremos, já que faz uso de fraldas descartáveis. Todos sabemos que os banheiros da maior parte das aeronaves são impossíveis para deitar uma criança do tamanho da minha. São poucas as empresas que possuem recintos adaptados para cadeirantes.

Chegando ao destino, a estrutura e o tamanho do quarto são importantes, assim como o banheiro, que precisa ter box grande, que caiba uma cadeira de banho. Sempre escolhemos hotéis ou pousadas que disponibilizam cozinha de apoio, com frutas e leite. Além disso, sempre vamos até os restaurantes disponíveis e explicamos as necessidades da Laura. Até hoje, todos os lugares para onde fomos fizeram a gentileza de triturar a alimentação dela no liquidificador.

Os ônibus para passeios que pegam os turistas no hotel também precisam ser adaptados. Saber o roteiro, como, por exemplo, onde parar para fazer as refeições, é essencial, já que temos essa preocupação a mais em relação à comida.

Eu e minha família escolhemos sempre um destino com hospedagem completa, onde podemos curtir sem precisar nos locomover muito. Uma das viagens que fizemos com a Laura foi para Goiás, num desses parques aquáticos. Ela adorou a experiência e tivemos bela estrutura disponível para desfrutar ao longo de sete dias. A esperança é de que, cada vez mais, surjam empresas que pensem nas necessidades de todos. Mas de todos mesmo!

Tauana Marin, repórter do Diarinho/D+, é mãe da Laura (cadeirante), da Luisa e do Lucas

 

Por: Karine Manchini
Fonte: http://www.dgabc.com.br/Noticia/2793514/turismo-acessivel (Acesso em 26/10/2017)

Receba as edições impressas da Revista PCD na sua casa!

Newsletter

Cadastre-se e fique por dentro das novidades!

Quer receber as novidades sobre o universo PCD no seu e-mail? Cadastre-se abaixo: