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Arteterapia com seda beneficia alunos com deficiência

Projeto é mostrado em um dos estandes da Via Rural, dentro da programação da ExpoLondrina

Anderson Coelho

Anderson Coelho - Alunos da Escola Flávia Cristina participam do processo de pintura da seda: textura e cores
Alunos da Escola Flávia Cristina participam do processo de pintura da seda: textura e cores

Um dos estandes da ExpoLondrina 2018 dentro do espaço da Via Rural, da Emater, é o dedicado ao projeto de pesquisa e extensão “Seda – o fio que transforma”. Por meio dele é possível ver que pessoas com necessidades especiais podem desenvolver produtos de alto valor agregado e com estampas personalizadas e elaboradas esteticamente. O projeto é uma iniciativa da UEL (Universidade Estadual de Londrina), juntamente com instituições parceiras, e no espaço são oferecidos palestras, oficinas interativas, apresentações de painéis e visitas técnicas.

Na tarde de segunda-feira (9) foi realizada a oficina “ArteTerapia com seda na educação especial”, com a participação dos alunos da Escola Flávia Cristina, de Londrina. A professora de educação especial Irenice Palmeira da Silva, da escola, relata que a parceria começou em 2017, quando viu uma exposição dedicada à seda. “Quando vi as técnicas ensinadas pela professora Eduarda (Regina da Veiga, do curso de design de moda da UEL e da Unopar), vi que dava para adaptar o processo de fabricação à educação especial”, destacou. “Aqueles que não conseguem fazer o processo inteiro da pintura conseguem participar de pelo menos uma etapa, como dar algumas pinceladas. Mas ele participa e vai se desenvolvendo com isso”, explicou.

Enquanto falava com a reportagem, a professora ajudava a aluna Stefany Vitória Vieira, 16. A jovem tem paralisia cerebral e participou da atividade de pintura usando os pés. “A Stefani usa um pincel adaptado e ela pinta com o próprio movimento do corpo dela. Ela já fez umas pinturas bem bonitas contraindo o abdômen. A pintura trabalha a textura e as cores. Aquele aluno bem comprometido consegue se desenvolver através do visual. Se ele não consegue pegar no pincel direito, ele vê o que está produzindo”, ressaltou.

A mãe de Stefani, Daiane de Souza Figueiredo, ficou muito feliz de ver a evolução dela por meio da arteterapia. “Apesar das dificuldades que ela tem, achei muito bacana esse trabalho. Ela já pintou um quadrinho para dar de presente no Dia das Mães, que está na sala. Dá muito orgulho e quando ela vê que está evoluindo fica bem feliz mesmo”, ressaltou.

Figueiredo destacou que a filha já é bastante alegre e ficou mais ainda com essas aulas. “Às vezes não quer nem comer porque quer ir logo para as aulas. Agora ela está toda hora rindo”, apontou.

A professora Irenice da Silva explica que a pintura faz parte de um projeto que inclui musicoterapia e aulas de tear. “Eles fazem essa aula uma vez por semana . Dos 170 alunos que a escola possui, 80 alunos realizam essa atividade”, apontou. A escola faz parte da Associação Flávia Cristina, localizada na zona norte de Londrina, e que atende pessoas com deficiência.

TINGIMENTO NATURAL 
A professora Eduarda Regina da Veiga ministra aulas da disciplina de materiais e processos têxteis nas duas universidades. Ela destaca que antes de integrar o projeto esses alunos estavam trabalhando sem uma gestão de design. “Eles faziam artesanato puro e esse termo se tornou pejorativo, porque os produtos nem sempre possuíam qualidade. As pessoas compravam para ajudar. A associação quer vender um produto com valor agregado, não quer esmola. Com esse projeto a pessoa vai comprar sabendo da função social, mas não só por isso, mas porque é bonito e é de seda. O resultado do trabalho deles é vendido e se transforma em economia criativa, em acessórios, souvenires para vender e revender e se converte em renda”, apontou.

Veiga ressaltou ainda que a lã, por exemplo, tem potencial alergênico e não é toda a criança que pode trabalhar com ela. “Pensando nesse projeto que é tão sustentável, por que não ter sustentabilidade social e cultural dentro do projeto? Com a seda não há esse problema de provocar alergia”, apontou. “Pela sustentabilidade os alunos realizam tingimento natural da seda, utilizando o açafrão, páprica doce ou o chá”, acrescentou.

SERVIÇO – A ExpoLondrina é realizada no parque Ney Braga até o dia 15 de abril. Mais informações no www.expolondrina.com.br

‘Nosso fio foi reposicionado para ter mais qualidade’

O projeto “Seda – o fio que transforma” é uma iniciativa da UEL com instituições parceiras, como a Sociedade Rural do Paraná, Emater, empresa Bratac e Apeiex (Fundação Araucária). Cristianne Cordeiro Nascimento é coordenadora do projeto de design da UEL e também diretora de inovação e desenvolvimento da Abraseda (Associação da Associação Brasileira de Seda). Ela destacou que o mercado tem muito a crescer. E ressaltou que 76% do mercado de casulo estão no Paraná. “Em Londrina está a única fiação do hemisfério ocidental. O nosso fio foi reposicionado para ter mais qualidade, pois na quantidade não podemos competir com a China, que é um grande mercado que consome 80% do que é produzido no mundo”, apontou. “Queremos que esse bicho produza um casulo com fio de qualidade cada vez melhor e como toda a produção do Estado vem para Londrina, é a seda londrinense que é exportada”, destacou. Ela explicou que no Estado existem 2.500 pequenos produtores em 183 municípios.

A secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior assinou, em março, um termo de cooperação para apoio ao projeto, que busca aprimorar a cadeia de produção de seda de Londrina e vai beneficiar agricultores e artesãos, além de interessados em uma nova fonte de renda. O termo prevê investimento de aproximadamente R$ 300 mil, recursos do Fundo Paraná, que deverão custear bolsas de estudos e equipamentos.

Nascimento explica que o bicho-da-seda pode ser usado também na medicina, em tratamento de queimados por exemplo, e na alimentação de peixes.

 

Por: Vítor Ogawa
Fonte: https://www.folhadelondrina.com.br/cidades/arteterapia-com-seda-beneficia-alunos-com-deficiencia-1004210.html (Acesso em: 10/04/2018)

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