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Histórias de mãe

A paulista Tabata e a carioca Ana Paula traduzem o aprendizado da maternidade em resiliência e superação todos os dias

Ser mãe é um sonho da maioria das mulheres. E, para Tabata Contri, não foi diferente. Cadeirante, ela é mãe de Francisco, de um ano e meio, e conta como tem sido a sua experiência maravilhosa (e agitada) da maternidade. “A minha vida mudou muito depois que ele nasceu”, afirma ela, que sofreu um acidente de carro há 17 anos e ficou paraplégica.

Adepta de uma vida independente, Tabata já trabalhou como atriz no teatro e na TV. Hoje é consultora em inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho em São Paulo, onde mora com a família. “Em relação à vida profissional, tive uma gestação muito tranquila. Trabalhei até dez dias antes do parto e apenas durante o primeiro ano de vida do Francisco parei de viajar para dar consultorias em outros estados.”

Ela explica que a mudança de vida se deu mesmo por conta das circunstâncias. “Já havia seis anos que eu e meu marido namorávamos. Mas, com a gravidez, resolvemos morar juntos e precisamos buscar uma casa que fosse acessível para uma cadeirante, o que demorou. Eu já estava com oitos meses quando encontramos”, lembra.

Tabata Contri e Francisco
Mãe em dose dupla

Assim, Tabata casou ao mesmo tempo que Francisco estava chegando, e ainda levou a mãe, que tem doença de Alzheimer, para morar com eles. “Antes da gestação, eu era muito filha e, de repente, me vi mãe do meu filho e da minha mãe. Além de ter que administrar a minha casa e o meu casamento. Tudo isso tem sido um imenso aprendizado”, afirma.

A rotina de Tabata é bastante agitada. “De manhã, eu deixo o Francisco no berçário de bebês e a minha mãe no berçário de vovós e vou trabalhar. No fim do dia, pego todo mundo e volto para casa”, conta ela, que não abre mão de viver o seu sonho de ser mãe. “A maternidade é maravilhosa e exaustiva na mesma proporção e traz um grande aprendizado, no sentido de resiliência. Eu descobri, por exemplo, que posso dormir menos horas ou até não dormir para cuidar do meu filho. A gente faz coisas que não acreditava que seria capaz”, destaca a consultora.

Ana Paula mudou de profissão

Ana Paula Siqueira, mãe de Vinícius

“Todo filho provoca mudanças na vida de uma mulher. Mas uma criança com deficiência provoca ainda mais, porque tudo é muito novo e inesperado”, afirma Ana Paula Siqueira, mãe de Vinícius, 15 anos. Ele nasceu com Síndrome de West – hoje, Síndrome de Lennox-Gastaut   que se caracteriza principalmente por alterações no eletroencefalograma e epilepsia de difícil controle. No caso desta mãe, moradora da cidade de Niterói/RJ, a mudança alcançou também a sua vida profissional. “Quando engravidamos, fazemos planos e muitos deles precisam ser refeitos”, diz.

Quando Vini (como é chamado carinhosamente) nasceu, ela era formada em jornalismo, especializada na área ambiental, e desempenhava a função de fotógrafa. Embora gostasse do seu trabalho, diante da nova realidade decidiu estudar desenvolvimento infantil e começou a trabalhar, em especial, com crianças com dificuldade de aprendizagem. “Fiz psicopedagogia e hoje mantenho um centro de atendimento multidisciplinar, o Espaço in Casa, com profissionais de diversas áreas, voltado para a estimulação e intervenção junto às famílias e às crianças. Completamos agora, em março, dez anos e nosso trabalho já gerou outros frutos, como a Associação Nuance, que é gestora do projeto Clínica-escola do Autista de São Gonçalo/RJ”, conta.

Luta constante com a síndrome

A maior luta dela como mãe do Vini tem sido mesmo com a própria síndrome. “É uma batalha constante e diária. Apesar de hoje as crises serem menos frequentes, permanecem, assim como a esperança de algum dia controlá-las. Para isso, são necessários medicamentos, suplementos, dieta, terapias e a busca por novos tratamentos. Mas quando me lembro dos momentos difíceis de internação, fico feliz por estarmos vencendo essa batalha”, ressalta Ana Paula.

A luta pela inclusão escolar também tem sido constante. Hoje, com as crises mais controladas, Ana Paula pôde retornar com Vini à escola regular. “Essa tarefa não foi fácil. Ouvi muitas recusas, alegando-se falta de recursos, como dificuldade de encontrar mediação. Mas valeu a pena: mesmo indo mais para socializar do que para um trabalho pedagógico, ele adora a escola que está atualmente. As crianças de sua turma aprenderam a conviver com Vini e ele adora participar, do seu jeito, das atividades”, conta a ela.

E no que se refere ao aprendizado que Ana Paula pode destacar em ser mãe de Vini, ela resume em quatro palavras: superação, paciência, resiliência e esperança. “Aprendi e aprendo todos os dias com ele. O valor de um olhar, de um sorriso, de cada superação, de ter paciência. Aprendi a lidar com minha impotência diante de fatos e aprender com eles, que é a resiliência. E não perder a esperança e acreditar na vida. Eu escolhi ser feliz e viver com alegria. Apesar de todo sofrimento, procuro olhar o lado bom e agradecer por meu filho fazer parte da minha vida e compartilhar com ele muitos desses momentos felizes”.

Contrariando as expectativas, sou mãe!

Ana Carolina Rufino e João Manoel
Ela ignorou as recomendações médicas e foi atrás de realizar um sonho

Ana Carolina Rufino, 29, Psicóloga, empreendedora e consultora de beleza é mãe de João Manoel, 1 ano e 1 mês. Carolina nasceu com amiotrofia espinhal progressiva. Uma deficiência de origem genética e que caracteriza uma atrofia muscular secundária à degeneração de neurônios motores localizados na medula espinhal. A expectativa é que ela andasse apenas até os 10 anos.

“A doença fez com que eu perdesse a força ao longo da vida. Não conseguia brincar de pular corda como as demais crianças, mas andei até os 22 anos, quando, numa queda na faculdade, quebrei o pé em quatro partes e isso me deixou por dois meses de cama, acelerando a degeneração”, diz.

Embora muitos podem pensar que a cadeira de rodas seja um entrave na vida da PcD, para Carolina foi uma forma de obter independência, pois antes da cadeira ela precisava de pessoas para servir de apoio para se locomover.

“Meu pai praticamente fez a faculdade comigo. Estudava na Universidade Federal do Rio de Janeiro no bairro da Urca e não tinha acessibilidade no prédio em que meu curso era ministrado. Foram cinco anos com ele me carregando pelas escadas”, lembra.

Hoje, aos 29 anos, vemos que ela contrariou as perspectivas da medicina e foi além ao decidir que um dia realizaria o sonho de ser mãe.  Embora Ana Carolina e o marido Rômulo Machado tivessem decidido que seriam pais, eles não planejaram a vinda de João Manoel para 2016, que mesmo chegando de surpresa alegrou toda a família.

Ana lembra que bem antes de engravidar procurou tratamento na Rede Sarah e perguntou para uma especialista como seria se ela engravidasse, pois até aquele momento ela não tinha conhecimento algum de mulher e mãe com a mesma deficiência. A recomendação clínica não foi positiva, já que a profissional a desaconselhou sobre a maternidade alegando que a síndrome poderia ser passada de mãe para filho.

A determinação de forma desafiadora e destemida fez com que a jovem optasse por seguir em direção ao seu sonho e hoje temos o lindo João, 100% saudável.
“Não posso fazer tudo o que as outras mães fazem, mas temos nossa maneira de viver e brincar. Somos felizes assim”, completa.

 

Por: Por: Cida Farias e Luciana Pereira

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