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Projeto ‘Mãos Aventureiras’ conta história infantil para surdos

Professora faz da internet palco para contação de histórias em libras; canal no youtube já tem 34 histórias com 35 mil visualizações

A professora Carolina Hessel em um de seus vídeos no canal Mãos Aventureiras (foto: reprodução)

Cristiano Pavini | ACidadeON/Ribeirao

É pelas mãos da professora universitária gaúcha Carolina Hessel que crianças com deficiência auditiva de todo o País têm tido contato com histórias infantis como a do “Lobinho Bom” e “Centopeia e seus sapatinhos”.

No ano passado, ela lançou o projeto “Mãos Aventureiras”, interpretando livros para a língua de sinais. Seu canal do Youtube conta com 34 histórias infantis contadas para surdos, que já foram visualizadas 35 mil vezes. A atualização é semanal.

Carolina é surda e dá aula de Libras (Língua Brasileira de Sinais) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “A internet é uma maneira barata e fácil de dar acesso para todos. Quero preencher esta lacuna para as crianças surdas e também enriquecer o acervo de histórias sinalizadas na internet”, afirmou, em entrevista ao site da UFRGS.

Ela interpreta histórias que fogem dos contos de fada clássicos, dando vida a personagens de autores nacionais e estrangeiros. Apesar das narrativas serem infantis, os vídeos são acessados por um grupo diverso: de crianças e familiares a profissionais que procuram aperfeiçoar a língua de sinais.

A secretária municipal de Educação de Ribeirão Preto, Luciana Rodrigues, que há 27 anos atua na educação para pessoas com deficiência, explica que a Libras é a língua materna dos surdos.

“A transformação da linguagem escrita em visual cria um significado para as crianças. E se elas, quando pequenas, não receberem contação de histórias, não irão formar o imaginário infantil, limitando a criatividade”, explica Luciana.

O último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), realizado em 2010, contabilizou em Ribeirão Preto 266 crianças com deficiência auditiva total ou grave.

Na rede municipal de ensino de Ribeirão, atualmente, são 35 alunos surdos matriculados 12 na educação infantil (até 5 anos) e 23 no Ensino Fundamental.

Todos eles, segundo a secretária de Educação, contam com intérprete na sala de aula e professores especializados no contraturno escolar. Uma das atividades promovidas é, justamente, a contação de histórias na língua de sinais.

Carla Barato é uma das professoras surdas da rede municipal de ensino de Ribeirão Preto; uma das atividades promovidas para as crianças surdas no contraturno escolar é contação de histórias em língua de sinais (foto: Weber Sian / A Cidade)

Carla  
Quando criança, Carla Barato estudou na rede municipal de ensino. Agora, aos 27 anos, voltou para a rede, mas para ensinar. Ela é uma das duas professoras surdas que ministram aulas nas unidades da Prefeitura.

Segundo ela, ser professora era “um sonho”, justamente para poder ajudar crianças e adolescentes surdos. “Sei que eles podem copiar meu exemplo. Posso mostrar que eles podem conseguir tudo”, afirma.

Na rede municipal, Carla trabalha alfabetizando crianças surdas em Libras, principalmente por meio de recursos visuais: jogos, vídeos e narrativa de livros.

CAS
Em Ribeirão Preto, a Secretaria de Educação oferece, em parceria com o Governo Federal, o CAS (Centro de Formação de Profissionais da Educação e Atendimento às Pessoas com Surdez), que promove curso de Libras para qualquer cidadão principalmente professores e familiares de pessoas com deficiência auditiva.

O município é o único do estado de São Paulo com um CAS ativo foi inaugurado em 2006. Segundo a secretária de Educação, Luciana Rodrigues, em média 300 pessoas passam pela formação em Libras no local.

Libras
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a língua materna dos surdos, que têm o português como segunda língua. Desde 2002, ela é reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil, após a aprovação da Lei Federal 10.436. Segundo especialistas, a Libras não é a simples gestualização da língua portuguesa e sim uma língua à parte.

Inclusão
As políticas de inclusão educacional preconizam que crianças com algum tipo de deficiência estudem na mesma sala que colegas sem deficiência, sem segregação. “Educação inclusiva vai da creche ao Ensino Superior, em que todos possam se comunicar”, explica Luciana Rodrigues, secretária municipal de Educação.

Ela diz que os surdos recebem atividades complementares no contraturno escolar, mas o ensino regular é realizado junto aos demais estudantes, com a mediação de um intérprete.

“Ter alunos surdos na sala de aula junto com os ouvintes é muito importante, porque os alunos ouvintes podem aprender a Libras para poderem se comunicar com o surdo”, cita a professora Carla Barato. Ela reforça que os professores também precisam se capacitar na língua de sinais, para que a comunicação seja plena.

Números da rede municipal de ensino
– 20 profissionais atuam como intérpretes, mediando a comunicação entre alunos surdos e professores nas salas de aula;

– 6 professores são capacitados em Libras, ministrando atividades especializadas no contraturno escolar;

– 4 escolas pólos existem na rede com atendimento especializado para surdos: Neuza Michelutti Marzola, Alfeu Gasparini, Dom Luis do Amaral Mousinho e João Gilberto Sampaio;

– 1.000 alunos possuem algum tipo de deficiência física ou cognitiva na rede municipal, segundo estimativas da secretaria de Educação.

Pessoas com deficiência
Segundo o último Censo do IBGE, realizado em 2010, 21,5% dos ribeirão-pretanos apresentavam algum tipo de deficiência, desde problemas visuais leves até total incapacidade locomotora;

Na faixa de zero a 14 anos, uma a cada 17 crianças tinha alguma deficiência. Naquele ano, 266 crianças dessa faixa etária tinham deficiência auditiva total ou grande.

 

 

Por: Cristiano Pavini
Fonte: https://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/educacao/NOT,0,0,1353846,surdos+tambem+ouvem+historias.aspx

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