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Esclerose Múltipla, diagnóstico e tratamento precoce é importante

Por: Cida Farias / Fotos: Divulgação / Shutterstock

Doença pode ser confundida com muitas outras, Diagnóstico é fundamental, logo aos primeiros sintomas, para um tratamento eficaz

Uma doença neurológica, crônica e autoimune – ou seja, as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. Assim é definida a Esclerose Múltipla (EM), que vem sendo foco de muitos estudos no mundo todo, o que possibilita uma constante e significativa evolução na qualidade de vida dos pacientes. De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), cerca de 35 mil brasileiros apresentam a doença, mas a causa ainda é desconhecida. Em geral, as pessoas acometidas são jovens, homens e mulheres entre 20 e 50 anos.
Embora ainda não exista a cura para a Esclerose Múltipla, há tratamento para ajudar os pacientes a serem independentes e terem uma vida confortável e produtiva. “A doença tem um componente degenerativo e inflamatório que age em todo o corpo, atacando as vias neurológicas, o que pode levar à perda da visão, falta de coordenação, dificuldade em andar, fadiga, entre outros sintomas. Porém, muita gente se trata e leva uma vida normal”, explica o neurologista Denis Bernardi Bichuetti, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia.

Inflamação evolui para cicatriz
Os sintomas da doença são produzidos, porque a perda de mielina (substância cuja função é fazer com que o impulso nervoso percorra os neurônios) leva à interferência da transmissão dos impulsos elétricos. Esse processo é chamado de desmielinização. Vale ressaltar que a mielina está presente em todo o sistema nervoso central, por isso qualquer região do cérebro pode ser afetada e o tipo de sintoma está diretamente relacionado à área.
Com a desmielinização ocorre um processo inflamatório que culmina, a longo prazo, no acúmulo de incapacitações neurológicas. “No início da doença, a inflamação é transitória, melhorando de quatro a seis semanas. Isso acontece uma vez por ano ou a cada dois anos. É por isso que a pessoa só procura ajuda quando começa a acumular sequelas, momento que descobre a doença”, esclarece o neurologista.
Os pontos de inflamação evoluem para uma formação de cicatriz (esclerose significa cicatriz). Ela não apresenta a mesma função do tecido original, mas é a forma que o organismo encontra para curar a inflamação. Assim, os pacientes podem se recuperar clinicamente total ou parcialmente das crises de desmielinização, produzindo-se o curso clássico da doença, ou seja, os surtos (períodos em que a doença se manifesta intercalados com períodos sem manifestação) e remissões. Além disso, os sintomas se assemelham a outros tipos de doenças neurológicas.

Diagnóstico deve ser precoce
Com o diagnóstico tardio, não é possível recuperar as sequelas da doença, mas tratá-las. Por isso, a primeira atitude, em caso de suspeita de EM, é buscar o diagnóstico. Deve-se, então, procurar um médico neurologista, que é o profissional mais adequado para investigar e tratar pacientes com a doença. “O diagnóstico inicial não é difícil. Faço uma combinação de queixas com sinais neurológicos e solicito exames, como de sangue e ressonância magnética. O problema é que outros especialistas podem confundir a EM com hérnia de disco, transtorno de ansiedade e labirintite, por exemplo”, esclarece Bernardi Bichuetti.
De acordo com o Atlas da Esclerose Múltipla de 2013, a prevalência da doença no Brasil é de 5,01 a 20 pessoas a cada 100 mil habitantes. Quanto mais distante da linha do Equador, ou seja, maior latitude, maior a prevalência. No que se refere à idade de maior adoecimento, consiste entre 20 e 50 anos, mas hoje já se faz cada vez mais o diagnóstico em idades inferiores, inclusive em adolescentes e crianças. Acima dos 50 anos também há casos de início da doença.

Abem: assistência e orientação
A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) atende pacientes de todo o Brasil, por meio de orientações via internet, telefone, fax e carta. Em seu Centro de Neurorreabilitação, com sede em São Paulo/SP, presta assistência e orientação de psicologia comportamental e cognitiva, neuropsicologia, fisioterapia, arteterapia, fonoaudiologia, neurovisão, terapia ocupacional, além de terapias de apoio e complementares. Também presta consultoria jurídica e serviço social para pacientes e familiares.
Fundada em 1984 por Ana Maria Levy e Dr. Renato Basile, a Abem é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, reconhecida de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal. É filiada à Multiple Sclerosis International Federation, sediada em Londres (Inglaterra), que coordena as pesquisas sobre a EM no mundo todo.

Sintomas mais comuns
• Fadiga: é um dos sintomas mais comuns e um dos mais incapacitantes da EM. Manifesta-se por um cansaço intenso e momentaneamente incapacitante.
• Alterações fonoaudiológicas: pode surgir no início da doença ou no decorrer dos anos alterações ligadas à fala e à deglutição.
• Transtornos visuais: visão embaçada e visão dupla (diplopia).
• Problemas de equilíbrio e coordenação: perda de equilíbrio; tremores; instabilidade ao caminhar (ataxia); vertigens e náuseas; falta de coordenação; debilidade (pode afetar pernas e o andar); e fraqueza geral.
• Espasticidade: é a rigidez de um membro ao movimento e acomete, principalmente, os membros inferiores.
• Transtornos cognitivos: sintomas cognitivos de memória, durante qualquer momento da doença, e independe da presença de sintomas físicos/motores.
• Transtornos emocionais: podem ser depressivos, ansiosos, transtorno de humor, irritabilidade, flutuação entre depressão e mania (transtorno bipolar).
• Sexualidade: disfunção erétil, nos homens; e diminuição de lubrificação vaginal nas mulheres.

Tratamento medicamentoso e neurorreabilitação
Os tratamentos medicamentosos disponíveis para EM buscam reduzir a atividade inflamatória e os surtos, ao longo dos anos, contribuindo para a redução do acúmulo de incapacidade durante a vida do paciente. Além do foco na doença, que deixa a imunidade muito baixa, tratar os sintomas é muito importante para a qualidade de vida do paciente. “O especialista deve analisar caso a caso, lembrando que a atividade física é fundamental para o fortalecimento da musculatura”, complementa o médico.
Dessa forma, aliado ao tratamento medicamentoso, o tratamento reabilitacional é essencial para reduzir a espasticidade, espasmo, fadiga, depressão, entre diversos outros sintomas. A neurorreabilitação é uma aliada importante do tratamento da EM. Além disso, colabora na adaptação e recuperação, quando possível, e prevenção ao longo do tempo de complicações como as deformidades ósseas. Entre as terapias de neurorreabilitação estão: psicologia, neuropsicologia, fisioterapia, arteterapia, fonoaudiologia, fisioterapia, neurovisão e terapia ocupacional.

Serviço Site: abem.org.br – Tels.: (11) 5587-6050/5585-9977

 

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