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Inclusão Social Notícias

Representatividade importa

Por: Luciana Novaes; primeira vereadora tetraplégica do Rio de Janeiro e Presidente
da Comissão da Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal

Foto: Freepik

Como ainda estamos em meio ao clima político que envolveu o Brasil, resolvi falar sobre um tema fundamental para a busca pelos direitos das pessoas com deficiência: Representatividade. É fato que tivemos muitos avanços na garantia dos nossos direitos, mas é verdade também que ainda estamos muito a quem do que seria uma inclusão real das pessoas com deficiência. Muitas das leis são solenemente ignoradas, a acessibilidade é algo que se fala muito, mas se cumpre pouco. Os governos e empresas ainda possuem seus olhos vendados para nossa existência, mesmo quando nós já somos quase um quarto da população brasileira. Os setores de obras e urbanismo não se lembram das rampas, do piso tátil; as empresas que possuem concessões de transportes públicos pensam na acessibilidade como um problema, um custo adicional; e assim por diante.

E se, entre os técnicos das secretarias do governo, ou das empresas, estivessem, também, pessoas com deficiência? Um engenheiro cadeirante projetaria uma obra na qual ele não conseguiria entrar? Um gerente de RH de uma empresa, que fosse PcD, deixaria de cumprir a lei de cotas? Um diretor de teatro com deficiência faria um  espetáculo sem recursos de acessibilidade?É claro que a resposta pode ser sim, em alguns casos, porque, infelizmente, muitas vezes o sistema opressor ainda encontra aliados dentre os próprios oprimidos. Mas o fato é que a ocupação de espaços na sociedade pelas pessoas com deficiência amplia os horizontes das organizações e também das pessoas sem deficiência, aumentando a diversidade de ideias e necessidades.Uma sociedade tão complexa e diversa como a nossa precisa de convivência entre os diferentes para que possa abraçar essas várias formas de viver. Não estou aqui para defender uma hegemonia das pessoas com deficiência,muito pelo contrário, estou defendendo que haja participação de todos. Como já disse anteriormente, somos quase um quarto da população brasileira, mas apenas,cerca de 1% de nós está empregada. Isso traz consequências na forma com que se organiza o universo do trabalho, nos produtos que consumimos, nos serviços oferecidos, na cultura produzida. Porque produtos e serviços são pensados e oferecidos por pessoas, e quanto mais diversas elas forem, maiores são as chances de serem feitos também para nós. Concordo também que pessoas sem deficiência podem defender nossos interesses, temos a organização da feira Cidade PCD como um grande exemplo disso. Mas, infelizmente, essa ainda é a minoria. Por isso, é necessário que saiamos da nossa zona de conforto e ocupemos os espaços mais diversos na sociedade. E um desses espaços é a política. É… eu sei que muita gente vai dizer que não gosta de política, mas eu preciso lhe dizer: é ela que determina grande parte da nossa vida. Ela está no preço do pão, na calçada esburacada,na falta de médicos. Não fazer parte dela é deixar que alguém faça por nós, e a maior parte de quem está fazendo não tem a menor ideia do que é ser uma pessoa com deficiência.

 

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