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Inclusão Social

Entrevista com idealizadora do projeto “Chefs Especiais” Simone Lozano

O Chefs Especiais é um projeto gastronômico inclusivo e inovador voltado às pessoas com síndrome de Down, cujo formato consiste em trazer chefs de cozinha famosos como voluntários para cozinharem juntos. Em maio de 2019, o Instituto completará 13 anos e segue inovando na oferta de atividades, ganhando prêmios e inspirando pessoas dentro e fora do país. Conversamos um pouco com a mulher à frente dessa ideia: a advogada Simone Lozano. Confira:

Universo da inclusão: Por que um projeto como esse?

Simone Lozano: Fundei o Instituto com meu ex-marido em 2006, mas hoje toco sozinha. Nós queríamos de alguma forma agradecer a vida bacana que tínhamos, com emprego, casa, filhos saudáveis. Uma vida comum, mas a qual as pessoas não dão valor. Queríamos expressar gratidão fazendo algo por alguém.

Universo da inclusão: Quais são as atividades oferecidas no Instituto Chefs Especiais?

No começo, eram apenas aulas esporádicas do Down Cooking, nosso carro-chefe até hoje. Consiste em chefs famosos que, voluntariamente, vêm dar aula aos nossos alunos com síndrome de Down. O nosso objetivo não é o mercado de trabalho, mas a autonomia. Além do Down Cooking, nós temos curso para garçom, que eles adoram; curso de panificação e de confeitaria. Há também aulas de zumba, violão e yoga, que começará agora.

Universo da inclusão: Quais são os objetivos do Instituto?

Nós não trabalhamos com assistencialismo: aqui ninguém é coitado. Lapidamos o que eles têm de melhor, de maneira valorativa. Nosso objetivo é que eles sejam o mais autônomos possível. A culinária é algo que usamos no nosso dia a dia, para o resto da vida. Se amanhã eles não tiverem os seus cuidadores por perto, onde quer que eles estejam, que sejam úteis e possam ter independência.

Universo da inclusão: Que benefícios os alunos têm ao frequentar o Chefs Especiais?

Trabalhar com culinária os faz aprender quantificação, uso do tempo, trabalho em grupo, organização, limpeza, higiene pessoal e do ambiente. Eles tomam muito cuidado, são comprometidos, têm total consciência da deficiência, dos limites. Tudo o que eles fazem, procuram fazer da melhor forma possível para mostrar que podem, que são capazes.

Universo da inclusão: Qual tem sido a ressonância social do projeto?

Nós temos 300 alunos e uma fila de espera. O projeto Down Cooking é replicado em Portugal há quatro anos e, desde o ano passado, nós autorizamos que eles usassem o nome Chefs Especiais também. Meu sonho é ter o projeto espalhado por todos os cantos do mundo. Não temos braços, recursos, nem equipe para poder ir a outras localidades, mas quero que isso se espalhe por meio de outras pessoas. É preciso dar essa oportunidade para outros.

Universo da inclusão: Qual é a maior lição que o Chefs Especiais deixa para seus alunos?

Costumamos dizer aqui que, com os ingredientes que temos na nossa frente, podemos fazer uma gororoba, qualquer porcaria, ou podemos fazer um prato incrível. São os mesmos ingredientes para os dois. E que é preciso entender que na nossa vida é a mesma coisa, a gente tem todos os ingredientes: cabe a cada um de nós fazer da nossa vida qualquer coisa ou a melhor coisa. Aqui no Instituto falamos a eles que só cabe fazer o melhor, não há espaço para a gororoba. Eles entendem perfeitamente.

 

 

 

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