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Superação

Depressão

A importância do apoio familiar e resignificação da própria vida da pessoa com deficiência para vencer a doença

Por: Dra. Priscila Valério, Psicóloga Clínica e Esportiva, CRP: 5/44811, cognitiva comportamental, especialista em Liderança e Gestão de Pessoas/UFRJ, criadora da Psicologia de Guerreiro, atuante em clínica psicológica, consultoria psicológica, leciona sobre inteligência comportamental em esfera corporativa, atua há 20 anos com pessoas, aborda temas como potencial humano, habilidades sociais, emoções, habilidades cognitivas e transtornos psicológicos etc

A pessoa com deficiência congênita ou adquirida pode ou não apresentar um quadro depressivo ao longo do percurso de vida. A história construída acerca da deficiência no ambiente de convivência faz toda diferença. Nos casos de deficiência congênita, os pais geralmente projetaram seus desejos e anseios naquela vida e, ao receberem a notícia no pré-natal ou após o nascimento de que teriam uma criança com deficiência, alguns não reagem bem e a possível frustração é refletida na forma que conduzem o fato ao longo da trajetória de vida da criança. Quando adulto, todas as crenças construídas a partir de informações sobre a própria deficiência, recebidas no ambiente de convivência, estão enraizadas; muitas crenças disfuncionais, resultando em baixa autoestima, desânimo, inferioridade, mentalidade limitada quanto ao que poderá realizar, descrédito na própria capacidade para vencer os desafios impostos pela condição, podendo acarretar em depressão. Quando a deficiência é adquirida, houve a experiência prévia, de como era a vida antes da deficiência. Há um parâmetro físico e psicológico que poderá ser gerador de angústia e depressão ou usado como mola propulsora para superar-se, vencer desafios para construir uma vida boa, com base nas próprias forças e potencialidades que podem ser descobertas a partir da nova condição de vida. Sob o prisma da superação, conduzir a vida após uma deficiência adquirida, a pessoa acometida pode ser considerada resiliente. A resiliência é uma habilidade comportamental muito valorizada em âmbito esportivo e profissional na atualidade.

O estigma social reforça que a depressão é “frescura”, “falta do que fazer”, “não tem com o que se preocupar”, “ é um(a) desocupado(a) e tudo que siga essa linha de crenças que em nada ajuda, pautada no aspecto da desinformação, dificulta a busca pelo tratamento adequado à doença que deve ser uma combinação entre medicamento prescrito pelo Médico Psiquiatra e Psicoterapia realizada pelo Psicólogo. Muitas pessoas sentem vergonha e culpa por apresentarem sintomas de depressão, não buscam ajuda e há um agravo progressivo no quadro depressivo. Se for diagnosticado no início da doença e receber tratamento adequado, as chances de progressão da doença são reduzidas. Os sintomas depressivos podem ser classificados em gravidade Leve (dois sintomas), Moderada (três sintomas), Moderada-Grave (quatro ou cinco sintomas), Grave (quatro ou cinco sintomas e com agitação motora) (DSM – 5, 2017). Essa avaliação deve ser realizada pelo Médico Psiquiatra ou Psicólogo, através de anamnese, avaliação e diagnóstico.

O humor é triste, como se a vida fosse em preto e branco, mas o apoio da família pode ajudar, dando tom colorido no sentido de viver, que foi perdido. Embora nenhuma quantidade de dados consiga captar ou transmitir adequadamente a dor e o sofrimento pessoal vivenciados na depressão (Frank e Thase, 1999; Jarrett, 1995; Wang; 2015), o afeto, apoio e cuidado da família contribui na recuperação daquele que sofre de depressão.

Entretanto, a família pode apresentar falta de habilidade para lidar com a doença, podendo agravá-la. Buscar informação sobre a doença é o 1º passo para o manejo da questão. A maneira que a família conduz a situação, se for positiva, pode ajudar na (re)construção de um novo ambiente familiar, facilitando no processo de um novo sentido de viver daquele que foi acometido pela depressão. Ouvir, silenciar, compreender, ter empatia e paciência pode ajudar muito. Buscar ajuda Psicoterápica também poderá enriquecer o processo de convivência.

 

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